segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Expectativas X Competição (diferente) de Identidade

Antes mesmo do ser humano ter filhos, começa a criar expectativas sobre o futuro deles.
Eu crio algumas, sei que não deveria, mas...

Escuto muito de pessoas que ainda não tiveram filhos:

- Ah se fosse o meu filho, não estaria dando esse chilique.

- Meu filho vai estudar inglês desde os dois anos de idade, ele não vai passar pelo que passei para conseguir emprego.

- Minha filha será uma princesinha, só usará roupas lindas!

E quem já têm filhos, as expectativas aumentam.
Claro, queremos sempre o melhor para nossas crianças, não queremos que sofram em hipótese alguma, desejamos vê-los felizes sempre, conquistando tudo que desejam.

Existe uma questão a ser analisada e refletida bem de perto: Identidade.

Voltando ao passado, vamos nos lembrar de nossas mães falando para fazermos algo e o que vinha em nossa mente:

- Nossa, que chata! Eu não quero fazer isso.

Muitas pessoas lembram-se da mãe dizendo hoje:

- Eu queria que ela estudasse isso, aquilo e não aquele outro...

Minha mãe não queria que eu fosse Pedagoga, ela queria um trabalho "chic", onde estivesse sempre bem vestida, maquiada, etc. ela não queria me ver chegando em casa com tinta na roupa, cantarolando músiquinhas infantis, cansada e sempre pesquisado atividades para a próxima aula. Mas, sei que sente orgulho do que escolhi.

Eu que ainda não tenho filhos crio certas expectativas, minha mãe teve expectativas quanto ao meu futuro, mas não alcancei as expectativas dela, pois não fazia parte da minha Identidade. As expectativas que tenho para o meu filho poderão não ser alcançadas.

Estava conversando com uma amiga e ela me disse que casais que eram amigos de longa data estavam brigados porque um falou mal do pediatra do outro.

Nossa como tenho visto casais de amigos se desentenderem por causa dos filhos, a competição foi lançada:

- A escola do meu filho é melhor porque o piso é emborrachado e a professora estudou fora do Brasil.

O que adianta se a escola não tiver o “felling” para crianças e educação?

- A festa do meu filho será em um buffet chiquérrimo.

Criança quer saber do chic?

- Minha filha será modelo, estou fazendo vários testes para isso.

Reparem no (ESTOU). Ué, não era a filha que estava fazendo os testes?

Quem adora essas expectativas e competições são as empresas e o mercado de consumo infantil. Fiquem atentos, pois o mercado já percebeu!

Saiu uma pesquisa dizendo que MAIS de 65% das crianças e adolescentes com idades entre 10 a 18 ACREDITAM que na vida adulta serão bem sucedidos, belos e viajados.
Para alguns pode não parecer, mas isso é grave, pois não vai acontecer para todos esses jovens.
Acho que teremos adultos frustrados por aí.

É culpa da mídia?
Não sei, talvez sim, talvez não.
Sim, porque a mídia está em todos os lugares vendendo a imagem que para ser feliz é preciso ser rico e belo. Em clips musicais que crianças e adolescentes amam, só mostram isso, pessoas ricas e belas.
E Não, porque a família bem estruturada vai educar a criança desde pequena a pensar e ser feliz independente de estereótipos.
Mas a família, bem estruturada ou não, não tem tempo e a TV faz mais companhia às crianças do que a mãe (em grande maioria dos casos).
As expectativas dos pais são concebidas a partir das realidades presenciadas ou vivenciadas e na interação com pessoas.
Mas como fica a construção de identidade das crianças, como podemos formar cidadãos críticos e atuantes nessa sociedade?
Na infância, encontramos o mundo "já acabado", então nos esforçamos pra entendê-lo e nos encaixarmos nele. A sociedade, os pais, a escola e vivências ensinam a criança o que é positivo e negativo, e o que fazer pra ser bem aceita. No momento em que começa a procurar o seu caminho exclusivo, próprio, a energia passa a se concentrar no aprendizado de como se ajustar às expectativas sociais. Porque todos precisam ser queridos, valorizados, integrados. E a sociedade predomina sobre o indivíduo.
Não deveria ser assim, vivemos em um mundo cheio de diferenças e fazemos de tudo para nos tornar igual.
Não estou dizendo para ser um "fora da lei", mas é preciso que a identidade da criança seja construída de forma crítica, só assim, na vida adulta, poderá entender que não é preciso se encaixar dentro de certos estereótipos, pré estabelecidos pela sociedade e mídia, para ser feliz.

É preciso saber que a Felicidade se encontra no bem estar.

As mulheres sofrem, também, com as expectativas X competições e muitas vezes não assumem a sua identidade.

  • A mulher que não trabalha fora - Dondoca, não faz da vida, não sei como aguenta.
  • Que trabalha fora - Nossa como consegue viver longe dos filhos o dia inteiro e deixá-los na mão de terceiros.
  • Não fez questão de emagrecer logo após a gravidez - Vai virar uma obesa e o marido vai largar.
  • Emagreceu e se cuidou logo após a gravidez - Nem pensou no filho, não respeitou os primeiros meses de vida do bebê.
  • Optou por ser mãe solteira - Muito moderninha, quem sofrerá é a criança, cada dia um pai.
  • É bem casada - Ela sofre com o marido, mas não conta.
Entre outras coisas que escuto e observo por aí.

É um absurdo!

Não podemos optar pelo o que a gente quer ser e fazer?

 Se isso é frustrante para nós mulheres, imagina para uma criança que está se desenvolvendo.

Quero antes de qualquer coisa, crianças felizes. Só assim seguirão o seu caminho de forma feliz, desempenhando um papel importante na sociedade e sendo protagonistas de suas vidas.

Ser Pedagogo

Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso.
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade, é triste pensar assim, muito triste pois este é o mundo dos nossos filhos, crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são.
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.

Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.