terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Alfabetização e Letramento


Esse tema é o meu favorito, para quem não sabe sou professora do 1° ano do Ensino Fundamental.

Lembro do meu primeiro dia de aula na faculdade, o professor de Língua Portuguesa disse:
- Quem alfabetiza é herói!
Isso ficou marcado e hoje penso da mesma forma.

Já postei aqui no blog alguns assuntos sobre alfabetização.
Clique aqui e leia, é super interessante.

Tive uma professora de alfabetização na faculdade que tinha paixão por ensinar e alfabetizar, mostrou que esse ato é realmente heróico, são as portas e janelas para mundo.
Antes de ensinar qualquer coisa é preciso ter respeito com o educando, respeitar o nível mental em que se encontra e ter cuidado com a avaliação no dia a dia - colocar certo ou errado em provas e cadernos, não modifica a realidade da criança.

Conceito de Alfabetização - Capacidade de decodificar os sinais gráficos durante a leitura, transformando-os em sons, e na escrita, a capacidade de codificar os sons da fala, transformando-os em sinais gráficos.

Pesquisas - A partir dos anos 80, o conceito de alfabetização foi ampliado com as contribuições dos estudos sobre a psicogênese da aquisição da língua escrita, particularmente com os trabalhos de Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
De acordo com esses estudos, a alfabetização não se reduziria ao domínio de correspondências entre grafemas e fonemas, entre a codificação e decodificação, mas se caracterizaria como um processo ativo pelo qual a criança, desde os seus primeiros contatos com a escrita, construiria hipóteses sobre a natureza e o funcionamento da língua escrita, compreendida como um sistema de representação.

Letramento - O termo passou a designar o processo não apenas de ensinar e aprender as habilidades de codificação e decodificação, mas também o domínio dos conhecimentos que permitem o uso dessas habilidades nas práticas sociais de leitura e escrita.
As crianças não precisam aprender primeiro a ler e escrever para depois chegar ao letramento (usar a leitura e escrita como prática social).

Ajudando no letramento - Como levar para o cotidiano de seu filho

- Livros. A leitura deve ser interativa, gostosa, num ambiente de afeto, carinho e envolvimento total com a criança, expõe desde cedo à linguagem formal e aos raciocínios mais complexos

- Revistas

- Jornais

- Pesquisas

- Internet

- Gibis

- Incentivo e Auxilio na escrita de bilhetes e emails

- Listas

- Letras de músicas. Ajuda a criança brincar com palavras, trocadilhos e brincadeiras de rimas e ritmos.

- Conversar. Devolver perguntas com outras perguntas, para desenvolver a observação, o raciocínio, o vocabulário e a sintaxe. A conversa ajuda o desenvolvimento oral, crescimento do vocabulário e uso de sintaxe cada vez mais elaborada.

- Brincadeiras- Forca, stop, palavras cruzadas, caça-palavras e outros jogos. Isso pode ajudá-lo a fixar a grafia correta.

- Compre um dicionário – saber o significado das palavras, vai ajudá-lo a aumentar a qualidade do seu texto.

Eu já disse e creio que a cultura é algo herdado.
Se os pais têm cultura e tem o hábito de buscar conhecimento, os filhos herdam essas atitudes dos pais. Cria-se um processo natural, algo que faz parte do cotidiano da família.

Analfabetismo Funcional - Crianças e jovens que frequentam ou frequentaram a escola. Mesmo os que sabem ler e escrever têm dificuldade para compreender textos curtos e localizar informações, inclusive as que estão explícitas.
A primeira postura positiva, para vencer essa realidade que atinge o nosso país, está em fazer da leitura uma tarefa diária, importante para o aprendizado em qualquer disciplina.

A entrada da criança no mundo da escrita se dá simultaneamente: pela aquisição do sistema convencional de escrita - alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desses sistemas em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita - o letramento.
Quando uma pessoa aprende a escrever com clareza, ela assume seu lugar num mundo que cada vez mais precisa da escrita para se comunicar.

Projeto Político Pedagógico

Não é apenas assunto da escola, cabe aos pais saberem o que se trata e se possível participar.
Infelizmente alguns gestores encaram o Projeto Político Pedagógico como formalidade a ser cumprida e o deixam guardado em gavetas e em arquivos de computador. Ele deve ser acessível a todos.


Projeto Político Pedagógico (PPP) tem duas dimensões: a política e a pedagógica.
Político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade e Pedagógico porque possibilita a efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo.
O PPP define a identidade da escola e indica caminhos para ensinar com qualidade.


- É projeto porque reúne propostas de ação concreta a executar durante determinado período de tempo.

- É político por considerar a escola como um espaço de formação de cidadãos conscientes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando os rumos que ela vai seguir.
- É pedagógico porque define e organiza as atividades e os projetos educativos necessários ao processo de ensino e aprendizagem.

Ao juntar as três dimensões, o PPP ganha a força de um guia - aquele que indica a direção a seguir não apenas para gestores e professores mas também funcionários, alunos e famílias.
O planejamento deve ser flexível o bastante para se adaptar às necessidades de aprendizagem dos alunos.

Envolver a comunidade nesse trabalho e compartilhar a responsabilidade de definir os rumos da escola é um desafio e tanto. Mas o esforço compensa: com um PPP bem estruturado, a escola ganha uma identidade clara, e a equipe, segurança para tomar decisões.

Fonte: Revista Nova Escola
          Arquivo Pessoal

Ser Pedagogo

Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso.
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade, é triste pensar assim, muito triste pois este é o mundo dos nossos filhos, crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são.
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.

Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.