quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Brincar X Brinquedo



Presentear a criança com um brinquedo não significa dar condição da criança brincar.


O ato de brincar está estabelecido no primeiro ano de vida da criança, aquela criança que sentiu as sensações boas de acolhimento pela mãe, não passou por vários cuidadores (diferentes creches, berçários, orfanatos, babás, etc.), essa sensação faz com que a criança se sinta segura, podendo, então, fantasiar, imaginar, pois já sabe que tem o seu lugar garantido, seu porto seguro. Pode voar e voltar.

O bebê brinca com o pé e a mão. É bom deixá-lo sentir e descobrir.

A criança criativa não segue modelos de histórias já contadas, sabe como é a verdadeira história, mas cria outras versões.
Quando a criança fala sozinha, ela está brincando, imaginando e não vendo "coisas" ou com algum problema. É normal, é natural!
Para desenvolver, ainda mais, essa imaginação na criança conte histórias à noite e não coloquem o DVD.

Muitos pais se preocupam como os preços dos brinquedos, acreditam que aquele brinquedo cheio de luzes e botões é o mais adequado para o filho. E não é assim.

Na verdade, o brinquedo desprovido de tecnologias é o que mais vai colaborar para o desenvolvimento e a criatividade. Despertando a imaginação, fantasia e acima de tudo movimentando o cérebro.



Não sou contra vídeo game, joguei muito na infância e até hoje eu gosto de jogar. Para os dias de chuva é uma ótima opção.
Existem jogos adequados para cada idade da criança e jogos extremamente educativos. Alguns deles contam como personagem principal um grande ídolo deles.
O grande problema hoje em dia é que em muitos aspectos os pais e a mídia são radicais. Induzem a criança à passar horas jogando vídeo game ou proíbem.
Os pais devem se preocupar sim com a faixa etária dos jogos, existe certos jogos para maiores de 18 anos, como é o caso do GTA. É extremamente violento, contém assassinato, roubo e até sexo. A criança ainda não tem maturidade para diferenciar essas cenas entre a realidade e ficção. Porém, por outro lado, existem alguns jogos de luta, guerra nas estrelas, matar o inimigo, etc. alguns desses jogos deixam claro que é de "mentirinha", os personagens já estão formatados de uma maneira utópica, ilusória, etc. como, por exemplo, matar o gigante para salvar a princesa. A criança já sabe que aquilo existe apenas no vídeo game e tem consciência que não pode fazer o mesmo.
Outro exemplo são os desenhos animados, muitos têm super heróis, lutinhas, armas, espadas, etc., mas não é por isso que se a criança assistir esses desenhos ela construirá um caráter duvidoso, querendo fazer o mesmo.

Crianças com idade entre 4 a 8 anos tendem a gostar de desafios, heróis, é a época que aprendem a competir, aprendem a ganhar e perder. Claro que isso precisa ser trabalho desde cedo, cabe aos pais saberem a medida certa desses entretenimentos, estarem atentos e abertos para conversar.
Vídeo Game, internet, eletrônicos, faz parte do mundo que eles vivem hoje. É a época de tecnologias cada vez mais sedutoras. Proibi-los seria afastá-los da cultura que estão inseridos e deixá-los somente nessa atividade, pode acarretar diversos problemas, como: ao jogar vídeo game o corpo permanece parado, a criança não estimula o tônus e logo terá dificuldades em pegar peso, dificuldade de motricidade. Se estiver em uma idade próxima à alfabetização, podem surgir dificuldades de lateralidade e aprendizagem.
Criança precisa andar, correr, saltar e até mesmo cair. Tudo isso faz bem ao seu crescimento.
Precisa também se socializar, ter amigos, conversar, discutir.


Vejo muitos adultos reclamando de pré adolescentes, alegam que têm preguiça de tudo, não querem andar, só vão aos lugares se for de carro, não querem fazer nada.
Não é preguiça, é falta de motivação.
Hoje em dia, vejo que as crianças estão presas à certos preconceitos dos adultos, que já foram crianças, mas esquecem-se disso.
Os adultos colocam as crianças quietas, sentadas, passivas e de "boca fechada".
Sempre que vejo duas crianças conversando perto de adultos, sempre escuto: - Xiu! Para de falar, pois estou conversando!
Como assim?
O adulto pode conversar e a criança não?
Muitos pais, professores, tios, etc. inibem a iniciativa e o poder de liderança da criança.
Isso não vai torná-la educada.
O que é um determinante para que uma pessoa se torne agressiva é exatamente não ter o espaço para expor o que pensa.
Antigamente o que era normal brincar de bolinha de gude, pião, pipa, amarelinha e com os pés descalços, hoje não se vê mais.

Em todas as escolas que trabalhei havia uma regra: - Não pode correr, se correr vai sentar!
É um absurdo, mas foi um meio que encontramos para a criança não se machucar. Pois quando chega a hora da saída e ela está com um arranhão, pode ser motivo de processo. O uniforme sujo, também é um dos motivos de queixas dos pais.
A escola tem se tornado um local onde a criança passa a maior parte do tempo, mas não pode se sujar, cair, etc.
Os pais transferem muito a responsabilidade para a escola. Hoje, tarefas que antigamente só eram realizadas em casa, são delegadas à escola.
É triste, pois se o adulto é adulto hoje é porque foi criança. Com certeza a criança que brincava na rua, que caía que se ralava e logo se levantava p/ brincar novamente.
Se sujar é fundamental para o desenvolvimento da criança, a ordem estética de roupas limpas não contribui para isso.

A brincadeira de rua hoje já não existe, os apartamentos estão cada vez menores e a única área externa privativa que existe é a sacada, que muitas vezes pequena.
Mas não adianta se lamentar. É preciso usar o pequeno espaço que tem e se adequar.
Uma mini horta na sacada já contribui imensamente para o desenvolvimento.
A criança é um artista natural, amam tintas, pincéis, gliters, lantejoulas, etc. Um trabalho artístico não precisa ser feito somente na escola, pode ser feito em casa também. Hoje existem recursos e materiais laváveis, poupando o chão, a parede, a roupa.
Acredito que tudo é ensinar como ser organizado. Ter cuidado ao trabalhar com tinta, dizer que a tinta é no papel e não no sofá.
Em um trabalho manual, seja com arte ou horticultura, a criança desenvolve e aprende inúmeros campos.
A plantinha só vai crescer se cuidar - Como tudo em nossa vida.
Se cuidar direitinho vem os frutos - Precisa de trabalho para ter conquistas
Se cuidar do material de pintura sempre vai tê - lo
Entre outras coisas.
Mas só a sacada, varanda, não é suficiente para a criança, amplie esse mundo passeando por exposições, jardim botânico, visitem uma horta em um sítio.
São coisas que não precisam de muito dinheiro, mas requer certo tempo. Existem finais de semana, aproveite! Alguns pais acreditam que um certo brinquedo vai suprir a falta desse tempo, desses passeios, mas sempre digo a infância passa rápido, logo a criança terá outros interesses.

Celular
Ainda é um assunto que não tenho uma opinião formada.
Muitas vezes não vejo mal algum, outras já não vejo com bons olhos.
O que é um celular?
É um telefone móvel que serve para se comunicar.
Alguns pais alegam que o celular é uma questão de segurança, para saber onde os filhos estão. Mas se for uma criança de 7 ou 8 anos, precisa estar acompanhada, não pode andar sozinha. Então os pais saberão onde ela está.
Vejo crianças de 6 a 9 anos querendo celulares com internet, câmeras, etc.
Porque ela quer esse celular com todas essas funções? É para brincar?
Se for, tem inúmeros celulares de brinquedos.
Mas tem a questão do consumo, já existem celulares com essas funções em modelos extremamente infantis. Isso atrai demais os olhos das crianças. O mercado já percebeu que o consumo aumentou bastante entre as crianças.
É bom os pais pensarem se realmente eles precisam dessa celular.
Para crianças maiores, acredito que pode ser benéfico ter um celular, desde que tenha responsabilidade para usá-lo. Saiba controlar seus créditos, saiba que não pode deixá-lo em qualquer lugar, tenha educação para desligá-lo na sala de aula, cinema, palestras, etc. Jamais pensem na possibilidade de passar trotes. Caso realize alguma dessas infrações, o celular deve ser retirado imediatamente, até ela provar que tem maturidade para isso. Celular não é brinquedo e muito menos status. Você escolhe o qual vai dar.
Voltando à questão do rastreamento, lembrem-se: se eles não querem que você não perturbe ou não saibam onde estão, eles desligam o celular e pronto.
Muitas vezes, alguns pais, querem mostrar que têm poder aquisitivo, presenteando os filhos com algo caro.
O filho leva o brinquedo para escola, mostra para todos os colegas e se quebra, a culpa é da professora.
Já passei por várias situações assim no famoso "dia do brinquedo". Até que em uma reunião de pais e mestres, disse que só seriam permitidos brinquedos simples, carrinhos, bonecas, etc. nada eletrônico e muito menos frágil. Brinquedos somente etiquetados com nome e apenas UM brinquedo por aluno.
Foi uma solução, mas demorou às crianças e os pais entenderem.

Uma amiga minha professora do Ensino Fundamental de uma escola particular de médio porte, passou por uma situação muito complicada. Um aluno levou à escola um Iphone que havia ganhado de presente do pai. Todos os colegas queriam ver, mexer, até que o dito caiu da janela do segundo andar.
O assunto está rolando até hoje, não há entendimento dos pais, culpam a professora, enfim, uma situação chata, sem necessidade de acontecer e que tira todo o foco das aulas.
Iphone não é brinquedo.

O mundo está cada vez mais consumista, é tempo de ter, ter, ter e ter. Devo comprar, comprar, comprar e comprar.
O consumo está ligado à relação de poder.
“Eu posso” “eu tenho” “ eu consigo"
As pessoas acham que comprar algo novo é sinônimo de conquista e sucesso.
“Se não estou bem internamente, compro algo para usar externamente e fico feliz".
Infelizmente essa mesma cultura de consumo é transferida às crianças.
O consumo nos leva a comparar.
"Ele tem e eu não, eu tenho e ele não,"
Hoje não importa o nível social que você esteja, aquele padrão de grife é para todos.
Se você não pode pagar à vista, existem inúmeros meios de parcelar, de qualquer forma você terá.
Não consigo enxergar isso como uma coisa boa.
Com crianças tudo tem que ser igual, principalmente aspecto social, mas é um sonho bem distante que a cada dia fica mais longe ainda.

Nem todo brinquedo dá a criança a condição de brincar.
O brinquedo estimula o desenvolvimento da área perceptiva, motora e a inteligência.
Propõe o mundo do tamanho que a criança compreende. Dependendo da faixa etária tem o seu valor simbólico.
A criança não precisa ter todos os brinquedos lançados no ano, até porque vão perder logo o interesse pelo brinquedo.
A clássica boneca serve para a criança imitar a maneira como a mãe cuida dela, a professora, a tia.

Muitas vezes a criança valoriza ainda mais o brinquedo artesanal.
O brinquedo para ser educativo, não é necessariamente o brinquedo de madeira, com encaixes, etc.
Qualquer coisa pode virar brinquedo, um cabo de vassoura para brincar de bruxa, um balde para servir de capacete, uma toalha que será a capa.

Na verdade o que determina cada brinquedo é acima de tudo o que ele representa (um ser humano, um animal, um objeto da vida cotidiana, como um telefone). É realmente uma representação de uma imagem, ou seja, um objeto em segundo grau, que não é grande (na maioria das vezes é minimizado, mas nem sempre pode ser desproporcionado no caso de representar de um inseto), materiais (uso de plástico, madeira), a função (o telefone não funciona), que tem apenas a aparência parcialmente (simplificação, a mudança cores) do objeto de referência.

O brinquedo é, portanto, o suporte para as novas funções que podem levar a transformar o objeto (o telefone está equipado com rodas, a casa tem um identificador) para atender a finalidade e as capacidades de manipulação da criança.

A questão do brincar é tão séria, que um dos princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança diz que: “Toda criança têm direito à alimentação, habitação, recreação e assistência médica! Sugere-se que toda pessoa em especial, pais e profissionais que fazem parte da formação de uma criança, tenham em mente o quanto é importante repensar na forma de apresentar, oferecer, ou proporcionar certo brinquedo ou uma brincadeira à criança, avaliando o que poderá lhe proporcionar.

Dedicar à brincar com o seu filho é melhor do que qualquer brinquedo




Playroom

Seria ótimo se em todas as residências existisse esse espaço para brincar.
Ótimo para a casa e para as crianças.

Enquanto não existe em todas as casas, ficam algumas idéias aqui.

Eu não gosto muito de paredes escuras, ainda mais para um ambiente infantil. Mas nesse quarto de brincar deve ter um propósito, pois camufla bastante os "pés na parede, mãos na parede".
Eu adorei esse espaço, super iluminado, mesinhas baixinhas, livros, quadros e proporciona condições para o adulto brincar junto à criança.
Prateleira com livros adequada para as crianças alcaçarem e ler a qualquer momento.
Muitos nichos para organizar.
Mesa baixinha e mesa grande. Quarto para irmãos com idades diferentes.
Quarto de brincar e roupas de brincar.
Fantasiar é muito gostoso!
Esse sofázinho branco, hummm, já não é uma boa idéia para adultos...
Estante com livros para a criança alcançá-los e ler sentadinha na poltroninha.
Estante de acordo com o tamanho da criança, elas podem pegar a qualquer momento os brinquedos e guardá los, sem ajuda de um adulto.
Ambiente estimulador: lousa, lápis, mapas, quadros...
Gavetas com números, também gostei.
Para soltar a criatividade sem estragar as paredes de casa


Para uma mocinha pequenina


Fonte: Workin´it


Ser Pedagogo

Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso.
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade, é triste pensar assim, muito triste pois este é o mundo dos nossos filhos, crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são.
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.

Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.