sexta-feira, 28 de maio de 2010

Educação Infantil - Construção do “Eu” inserido e intervindo na sociedade.


Crianças de 4 e 5 anos.

O ato de educar é um ato essencialmente social, a partir do qual surgiu a escola. Sem desenvolvimento educacional não há desenvolvimento social, e vice-versa.
O conhecimento é o mais eficiente instrumento do homem, sem o qual não é possível alcançar êxito pessoal e coletivo.


“Um abacateiro dá abacate.
Uma mangueira dá manga.
Uma girafa dá sempre girafinha.
Uma nuvem dá chuva.
E o homem?...”

HENFIL – A mágica que só os homens sabem fazer.

O homem não gera simplesmente outros homens. Ele realiza transformações a partir do seu “fazer”, construindo-se como ser inteligente, sensível, capaz de transformar, entre outras coisas, um barulho em melodia. Muitas dessas transformações são decorrentes do que ele aprende, desde criança, com a família, amigos, vizinhos, televisão, computador e com a escola. Nela, as crianças aprendem a conviver, a conhecer e a transformar o mundo em que vivem.
Cabe, então, à Educação Infantil criar um espaço de humanização e a construção da cidadania, por meio de tarefas que uma criança pode exercer desde muito cedo.
A interação social com os colegas são formas concretas de construção pessoal e social. Na interação, descobre-se e desenvolve-se o sentimento de segurança, de auto-estima, de autoconfiança. Pelas artes, pelas brincadeiras, pelo jogo, pela música, pelos variados confrontos infantis, aperfeiçoa-se a sensibilidade e vai se construindo a própria identidade.
A cidadania para crianças de 4 e 5 anos, inicia-se com atividades aparentemente simples, mas que são de extremo valor para os grupos com qual a criança interage. A atenção com higiene pessoal, à separação de lixo, organização e cuidado com seus materiais, o planejamento da vida cotidiana, o esperar a sua vez, o ouvir o outro, o conversar, o cooperar com pais, irmãos, familiares, amigos, etc.
Constrói-se cidadania por meio de socialização, mesmo se tratando de crianças de 4 e 5 anos, onde é natural que algumas crianças interajam basicamente por meio de brigas, ataques e protestos, enquanto outras estabelecem abordagens mais positivas em relação aos seus colegas, repartindo brinquedos, cooperando nas atividades, demonstrando carinho e afeição.
É participando das atividades do grupo que a criança habitua-se a elaborar e seguir regras, liderar e aceitar a liderança dos colegas, partilhar materiais, experiências e amizades, planejar e avaliar as atividades de sua própria participação, cooperar para que os objetivos do grupo (e não apenas o dela) sejam atingidos.
Dentro dessa socialização, o adulto deve ter consciência da importância do convívio social para a criança, sabendo a hora de intervir em uma conversa, discussão, não privar a criança de brincar (socializar) com outras, estar sempre disposto para resolver conflitos, pois assim a criança terá dificuldades de criar a sua identidade e autonomia.

Respeito aos ritmos individuais

Sabe-se que cada criança é um ser único, com características próprias e que se desenvolvem seguindo um ritmo individual.
Não adianta comparar uma criança com outra, exigindo respostas idênticas e no mesmo período de tempo. Cada criança responderá os desafios de cada aprendizado, de acordo com o seu ritmo individual de crescimento, suas experiências anteriores, sua segurança afetiva e social.

A conquista da autonomia

A criança torna-se mais interessada e responsável quando solicitada a defender suas próprias idéias, do que quando é levada a recitar respostas certas. Nós adultos, pais, família e professores, devemos ter como meta a AUTONOMIA (governar-se por si próprio) em oposição à HETEROMIA (ser governado por outro).
Estimulamos o desenvolvimento da autonomia quando dialogamos com a criança, trocando pontos de vista, levando-a construir seus próprios conceitos e conhecimentos, capacitando-a a resolver seus próprios problemas. Assim a criança aprende a respeitar o outro, o diferente, o mundo.A criança deve sentir-se capaz de perceber, compreender, conceituar, raciocinar, discursar e transformar os desafios de sua faixa etária. Na escola ou em casa, temos o mesmo ideal que é o de educar (nesse “educar” não separando o ato de cuidar e educação formal, mas sim a educação de uma forma global), sem ação da criança não há aprendizagem. Cabe recordar o provérbio Chinês: “se ouço, esqueço; se vejo, recordo; se faço, aprendo”. Todo conhecimento (formal, informal, valores humanos e científicos) procede da ação.
A afetividade é um dos grandes motores da ação que leva ao conhecimento. O princípio é este: “Se gosto, aprendo”.

Não me julgue, me conheça e depois me entenda

Eu tenho 5 anos e:
Na minha idade marca o fim e o começo de uma etapa de crescimento. Eu tenho consciência de ter atingido um objetivo ao dizer: "Tenho 5 anos!".
Estou me tornando mais dono de mim, mais reservado. A minha relação com o ambiente manifesta-se em termos mais amistosos.
O meu mundo é de aqui e de agora. O centro deste mundo continua a ser ocupado pela mamãe. Não tenho ainda maturidade para formar conceitos e sentir emoções abstratas, possuo um forte sentimento de posse, sobretudo com as coisas de que gosto. Mas daqui alguns meses e a relação com os meus coleguinhas eu vou aprender.
Dentro da minha família farei perguntas próprias: Para que serve? De que é feito? Pensarei antes de falar. Quero saber para sentir a satisfação do meu êxito pessoal e de aceitação social.

Eu tenho 4 anos e:
Muitas vezes tenho dificuldade ou ainda não aprendi a considerar o ponto de vista do outro, eu ainda não entendo a razão pela qual um adulto não quer passear por estar cansado se eu não estou. Tenho habilidade para correr, saltar; começar a atirar e chutar e sou capaz de pegar uma bola que salta. Antes aos 3 anos, conseguia pedalar um triciclo, porém não dirigia bem, mas agora com 4 anos já consigo dirigir bem melhor. Sou capaz de saltar sobre um pé e, a seguir, equilibrar-se sobre um pé por até 5 segundos. Desenho pessoas com 2 ou 3 características faciais. Comecei a usar tesoura de ponta cega para crianças. Consigo me vestir sozinho sob supervisão. Consigo desenhar um quadrado. Daqui a alguns meses o uso da tesoura vai evoluir e já serei capaz de recortar em linha reta.

Criança Pensa!



Possibilitar a construção de identidade da criança a partir das relações sócio-histórico-culturais de forma autêntica, consciente e contextualizada.


As crianças pensam o mundo de um jeito especial e muito próprio. É a partir das relações que estabelecem com a realidade em que vivem, com o meio familiar e com as pessoas com quem necessitam se relacionar no cotidiano que elas passam a “ler” e compreender o mundo. Cabe à Educação facilitar essa “leitura” e compreensão, possibilitando, no processo inicial de escolarização, o reconhecimento, pela criança, da sua própria história de vida. É desejável resgatar a importância das suas ações e atitudes no processo de construção da história da humanidade, estimulando sempre a sua auto-estima.


"...Vou ser feliz pra sempre. Peço à todos: com licença! Vamos liberar o pedaç. Felicidade assim desse tamanho, Só com muito espaço."

Ser Pedagogo

Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso.
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade, é triste pensar assim, muito triste pois este é o mundo dos nossos filhos, crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são.
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.

Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.