quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entenda as etapas de alfabetização e ajude o seu filho

A criança ao se alfabetizar, não passa simplesmente de um estado de ignorância total sobre o assunto para um estado de conhecimento total sobre o mesmo. Ela vai construindo conhecimentos à medida que passa por etapas sucessivas e complexas, ou seja, ela não é um ser que não tem nenhum conhecimento, que não sabe e sim para chegar ao nível de alfabetizado, precisa passar por algumas etapas para construir o conhecimento.

Através dos estudos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky sobre a psicogênese da língua escrita, compreendeu-se um novo significado para o processo de aquisição do código escrito realizado pelas crianças. “A leitura e a escrita não dependem exclusivamente da habilidade que o alfabetizando apresenta de ‘somar pedaços de escrita’, e sim, antes disso, de compreender como funciona a estrutura da língua e a forma como é utilizada na sociedade”.
Ferreiro e Teberosky observaram que, na tentativa de compreender o funcionamento da escrita, as crianças elaboram verdadeiras "teorias" explicativas que assim se desenvolvem: a pré-silábica, a silábica, a silábico-alfabética e a alfabética. São as chamadas hipóteses.


Hipótese pré-silábica
 
Observe que a palavra Elefante é representada com um tamanho maior e formiga por um tamanho menor, pois na cabeça da criança, a grafia tem relação com o tamanho real do que foi escrito.

Ela se caracteriza em dois níveis. No primeiro, as crianças procuram diferenciar o desenho da escrita, identificando o que é possível ler. Já no segundo nível, elas constroem dois princípios organizadores básicos que vão acompanhá-las por algum tempo durante o processo de alfabetização: o de que é preciso uma quantidade mínima de letras para que alguma coisa esteja escrita (em torno de três) e o de que haja uma variedade interna de caracteres para que se possa ler. Para escrever, a criança utiliza letras aleatórias (geralmente presentes em seu próprio nome) e sem uma quantidade definida.

Se o seu filho faz traços figurativos, se comunica por meio de desenhos, não percebe a diferença entre desenho e escrita, ele está nessa fase.
Na fase pictórica percebemos o registro de garatujas, desenhos sem figuração e, mais adiante, desenhos com figuração. Percebemos que a idade varia de acordo com o estímulo, recursos e material gráfico que a criança dispõe (estimulação lingüística). Todavia, algumas crianças somente terão o primeiro contato com materiais escritos na escola.
Na fase gráfica primitiva. surge logo após quando a criança já consegue fazer o registro de símbolos e pseudoletras, misturadas com letras e números. Apresenta uma linearidade e utiliza-se do seu conhecimento do meio ambiente para escrever, podendo ser bolinhas, riscos, ensaios de letras. Nesta etapa surge uma reflexão sobre os sinais escritos. É bastante questionadora sobre a representação que o cerca.
A criança só escreve substantivos, isto é, não incorpora a escrita o uso de artigos e verbos, pois não percebe sua necessidade; utiliza-se de muitas letras para diferentes palavras e imagina que as letras ou sílabas não podem se repetir na mesma palavra.

Por essa razão quero firmar mais uma vez, se seu filho ainda não vai à escola, procure o estimular em casa.
Não ignore os seus desenhos e rabiscos. Para ele aquilo é uma grande reprodução do que está pensando, é a mensagem que deseja passar. Sempre pergunte o que ele fez, o que está escrito, etc.


Hipótese silábica
Silábico sem Valor Sonoro

Silábico Sem Valor Sonoro 
Silábico com Valor Sonoro
Quando a escrita representa uma relação de correspondência termo a termo entre a grafia e as partes do falado, a criança se encontra na hipótese silábica. Começa a atribuir a cada parte do falado (a sílaba oral) uma grafia, ou seja, uma letra escrita.
Ao escrever a palavra "mão", poderá utilizar-se de apenas uma letra, apoiando-se na hipótese silábica de corresponder o número de letras ao número de vezes que ela abre a boca para pronunciá-la, ou poderá utilizar dois ou três símbolos, uma vez que acredita ser impossível escrever com uma única letra.
Essa etapa também pode ser dividida em dois níveis: no primeiro, chamado silábico sem valor sonoro, ela representa cada sílaba por uma única letra qualquer, sem relação com os sons que ela representa. No segundo, o silábico com valor sonoro, há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente.
Exemplo de escrita com valor sonoro: Ao escrever Casa, a criança poderá escrever C A (letra C = CA e letra A = SA), ou C S.
A criança conta os’ pedaços sonoros’ (sílabas) e coloca um símbolo (letra) para cada sílaba, podendo ou não apresentar valor sonoro convencional. Nesta fase, a leitura das palavras, frases e textos continuam com dificuldades, pois o professor não consegue ler o que a criança escreveu.



Hipótese silábico-alfabética
 

Nesta fase a criança descobre que para escrever não é suficiente usar apenas uma letra para cada sílaba. Como esta fase é uma fase de transição “da hipótese silábica para a escrita convencional (alfabética)”, a criança começa a escrever ora representando a sílaba completa (usando uma letra para cada fonema), ora usando uma letra para cada sílaba.

É nesta fase que os pais costumam dizer: O que está acontecendo? Meu filho (a) está lendo, mas na hora de escrever “come” letras. A criança não come letras, está apenas reformulando o que na hipótese silábica acreditava. Logo esta nova fase deixará de satisfazer a criança (assim como ocorreu antes) e ela prosseguirá em busca de uma solução (hipótese) de escrita mais completa.
São exemplos de escritas silábico-alfabéticas:
CAVLU (cavalo)
JABUTCAA (jabuticaba)
MNINO (menino)
CADRA (cadeira)

Você pode ajudar com Cruzadinhas, forca, texto lacunado, pedir para a criança ler o que escreveu, ler para a criança o que ela escreveu do modo que ela escreveu.

Nível Alfabético

A criança conhece o valor sonoro convencional de algumas ou todas as letras e conseguem juntá-las formando sílabas.
Estar no nível alfabético, não significa que a criança já saiba ler e escrever corretamente.
Ainda escrevem: Xinelo, Coziha, caza, etc.
É importante que a passagem ocorra de maneira agradável e gostosa. Jamais fale que ele não sabe escrever, a criança precisa de muitos estímulos, elogie bastante.
Quando ocorrer da criança escrever algumas palavras dessa maneira, elogie, fale que está aprendendo e mostre a maneira correta de escrever, porém diga a ele que não precisa ter pressa.
Leia bastante com ele e para ele, produza textos e histórias juntos, leia cartas e bilhetes.


Não seja ansioso, se o filho do seu amigo sabe ler e escrever, não quer dizer que seja melhor que o seu.
JAMAIS compare o seu filho com o do outro.
Essa ansiedade de ver seus filhos lendo e escrevendo o mais cedo possível, podem acarretar muitos problemas, transformando esse momento tão rico e tão difícil para eles, em um pesadelo de cobranças, de queixas e de reclamações, que respingam por todos os lados, desde a própria criança até a professora, atingindo a escola, o método de ensino, o material pedagógico, etc. gerando uma angústia que muito atrapalha o processo, que por si já é extremamente difícil para a criança.
Cada criança tem seu ritmo. O receio é natural. Espera-se que aos 7 anos de idade a criança domine razoavelmente a leitura e a escrita. Como acabei de explicar aqui,  isso começa muito antes. Desde bem pequeno, seu filho lê o mundo: nas placas das ruas, nas embalagens, nos livros, revistas, jornais, bilhetes e nos outros escritos que ela esbarrar no cotidiano. E é tudo isso, mais a dedicação da escola, que vai fazer com que seu filho aprenda a ler, sim.

Uma criança que vive em um ambiente onde as situações de leitura são muitas, terá mais interesse e, provavelmente, a alfabetização será com mais facilidade.

O papel da família é esse: oferecer opções e fazer desse momento puro prazer.

4 comentários:

  1. A Alice anda cada vez mais interessada na escrita.Já conhece as letras do alfabeto, claro que por vezes mistura, mas não fico cobrando. e ela adora agora escrever e faz o nom edela e depois a gente dita letras escreve outros estou tentando ensinar os sons das sílabas , mas não fico louca alucinada , a seu tempo ela se alfabetizará. bjsssssssss

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  2. Gostei muito da matéria!!! Parabéns!!

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  3. Meu filho tem 6 anos está no primeiro ano se confubd todo nas vogais e não sabe o alfabeto

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O que tem a dizer?

Ser Pedagogo

Ser Pedagogo não é apenas ser Professora, Mestre, Tia, Coordenadora, Supervisora, Orientadora, Dona de escola.
É mais do que isso.
É ser Responsável.
Ser Pedagogo é ter coragem de enfrentar uma sociedade deturpada, equivocada sem valores morais nem princípios.
Ser Pedagogo é ser valente, pois sabemos das dificuldades que temos em nossa profissão em nosso dia a dia.
Ser Pedagogo é saber conhecer seu caminho, sua meta, e saber atingir seus objetivos.
Ser Pedagogo é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo ou religião.
Ser Pedagogo é ter uma responsabilidade muito grande
nas mãos.
Talvez até mesmo o futuro...
Nas mãos de um Pedagogo concentra- se o futuro de muitos médicos, dentistas, farmacêuticos, engenheiros, advogados, jornalistas, publicitários ou qualquer outra profissão...
Ser Pedagogo é ser responsável pela vida, pelo caminho de cada um destes profissionais que hoje na faculdade e na sociedade nem se quer lembram que um dia passaram pelas mãos de um Pedagogo.
Ser Pedagogo é ser mais que profissional, é ser alguém que acredita na sociedade, no mundo, na vida.
Ser Pedagogo não é fácil, requer dedicação, confiança e perseverança.
Hoje em dia ser Pedagogo em uma sociedade tão competitiva e consumista não torna-se uma profissão muito atraente, e realmente não é.
Pois os valores, as crenças, os princípios, os desejos estão aquém do intelecto humano.
Hoje a sociedade globalizada está muito voltada para a vida materialista.
As pessoas perderam- se no caminho da dignidade e optaram pelo atalho da competitividade, é triste pensar assim, muito triste pois este é o mundo dos nossos filhos, crianças que irão crescer e tornar- se adultos.
Adultos em um mundo muito poluído de idéias e sentimentos sem razão.
Adultos que não sabem o que realmente são.
Alienados, com interesses voltados apenas pelo Ter e não pelo Ser.

Ser Pedagogo é ter a missão de mudar não uma Educação retorcida, mas ser capaz de transformar a sociedade que ainda está por vir.
Pode ser ideologia pensar assim, mas como Pedagogos temos a capacidade de plantar hoje nesta sociedade tão carente de valores, sementes que um dia irão florescer.
E quem sabe essa mesma sociedade que hoje é tão infértil possa colher os frutos que só a Pedagogia pode dar.